Pomerode
O ano inteiro

Patrimônio pomerodense

Quarta-Feira, 30 de Abril - Em 03 de junho de 1868 o casal Johann Carl Friedrich Wilhelm Weege e Henriette Düsing, junto com seus quatro filhos Auguste, Friedrich, Carl e Albertine Weege iniciaram a trajetória da Família Weege no Brasil.

Ao atravessar o oceano com o navio veleiro Lord Brougham, deixaram uma terra chamada Regenwalde, um distrito pertencente à cidade de Lobez, às margens do Rio Rega, na antiga região da Pomerânia.

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, a maior parte da província da Pomerânia foi integrada à Polônia e a cidade, atualmente, é chamada de Dü Lobez e o distrito passou a se chamar Resko.

Iniciando suas vidas no Brasil, a família instalou-se em Pomerode. E é em Pomerode Fundos que se encontra o Museu do Imigrante Carl Weege.

A construção, onde está localizado o museu, é a construção original da família do imigrante pomerano. A construção original é de 1920 e foi remontada neste local, pois antes estava do outro lado da rua. A reconstrução foi possível porque as casas eram montadas de forma que, ficassem encaixadas e as peças numeradas. Entre os tijolos, barro para fixação. E, por conta disso, a sequência em números romanos foi observado e a reconstrução perfeita foi possível, explica Graciéla Kath, funcionária do museu.

O complexo, reconstruído em 1998, engloba um museu com móveis antigos, roda-dágua, um rancho com moenda de cana-de-açúcar e outro com a atafona (moinho de fubá). Tudo aqui era patrimônio de Carl Weege, que chegou à região aos 12 anos, em 1868, com os pais. O patriarca da família estabeleceu-se em Pomerode Fundos com a mulher, Auguste Grutzmacher, explica Graciéla.

O casal teve 15 filhos, dos quais cinco faleceram, e sua história está contada na decoração da casa principal, uma bela amostra do estilo colonial alemão. Dos 15 filhos, cinco faleceram. Auguste teve o filho mais velho com 19 anos e o caçula com 42, relata Graciéla.

Vindos da Alemanha, Carl Weege nasceu no dia 29 de fevereiro de 1856, vindo a falecer em 25 de maio de 1939, com 83 anos. Já sua esposa, Auguste, nasceu em 20 de agosto de 1858 e faleceu em 30 de maio de 1925, com 67 anos.

A história da família é contada em detalhes por Graciéla que leva, em média, uma hora e meia para explicar os costumes e tradições da época. Temos a visita de muitas escolas pomerodenses e, também, de outros municípios. É importante conservar o espaço para que as crianças possam voltar no tempo e, com isso, valorizar ao que tem, ressalta.

E o valor a ser dado ao tempo atual começa com as facilidades do mundo moderno, que antigamente não podiam ser observadas. Isso, nos mais diversos quesitos, desde energia elétrica até material escolar, vestuário e higiene pessoal. Não havia cadernos, apenas pequenas lousas para anotar, decorar e estudar. Além disso, energia elétrica não era uma realidade como atualmente, sem falar nos banheiros que ficavam localizados do lado de fora de casa e os banhos que eram efetuados semanalmente, em banheiros, e nos demais dias apenas um banho com panos molhados nas partes íntimas e pelo corpo, revela.

A viagem pelo tempo começa logo ao chegar ao local, que com grama verde, roda dágua e lago, possui também um acesso de pedras a grande varanda, tradicional nas antigas casas de enxaimel.

Ao subir os quatro degraus de pedra, é possível avaliar e observar a grande sala com móveis, fotografias, artigos e uma grande árvore genealógica da família de Carl Weege. A árvore está atualizada e vai até a sexta geração da família. As salas eram grandes e espaçosas, pois, antes da existência dos clubes, as festas de casamento e baile eram efetuadas nas residências e, por isso, o grande espaço, relata.

Ainda no piso inferior é possível encontrar dois quartos antes de se chegar à cozinha. O quarto do casal eram os maiores, em sua maioria. Neste, específico, há um guarda-roupa com algumas peças de roupas, a cama com colchão de palha de milho, a penteadeira com objetos de uso pessoal, cabideiro, baús e um penico, que era deixado embaixo das camas para que não houvesse necessidade de sair durante a noite, uma vez que os banheiros ficavam do lado de fora da casa, relata.

O outro quarto era o das meninas e dos filhos menores. As camas eram pequenas, se comparadas com os dias atuais, dizem que é porque eles dormiam encolhidos. Neste ambiente há uma cama de solteiro, um berço e um penico. Também é possível observar o material escolar utilizado na época, sendo a mochila e a pequena lousa, conta.

Assim como a maioria das casas em enxaimel, a cozinha ficava nos fundos da residência. Na cozinha podem ser observadas diversas peças utilizadas pela família, como a mesa de jantar, o fogão a lenha, os armários e diversas louças. A grande maioria era pintada à mão e trazida da Alemanha. Alguns talheres eram feitos de chifres de animais e também se encontram neste espaço. A curiosidade, principalmente, dos alunos é em relação à falta de pia para lavar a louça. Antigamente não havia isso, e a bacia para a execução da tarefa ficava na cozinha e era preenchida com água quando necessário, relata.

A casa também possui sótão, que, neste caso, era utilizado como o quarto dos meninos. Aqui em cima podemos notar bem a colocação das telhas, que eram encaixadas. Também podemos observar o vão entre o teto e as paredes, que tornavam o local muito frio e com grande correnteza de ar. O local também era utilizado para secar roupas, tendo em vista que o calor absorvido pelas telhas secava as peças rapidamente, comenta.

Do lado de fora da casa, ainda pode-se observar o rancho com moenda de cana-de-açúcar e o prédio da atafona (moinho de fubá de milho). No rancho também o gado era utilizado para girar a moenda e moer a cana. Já na atafona, que aqui está completa e ainda funciona, a energia era proveniente de roda dágua. Há uma miniatura que reproduz a original e que é ligada para demonstração de funcionamento aos visitantes, explica Graciéla.

Muito mais do que uma construção antiga ou objetos de uma família, a Casa do Imigrante Carl Weege conta a história de uma família, mas vivida também por muitos outros imigrantes pomeranos em nossa cidade. Vale a pena conhecer e saber um pouco mais sobre antigos costumes e vivências.

Fonte: Avipomerode

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